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02: O Espelho que Tinhamos Medo de Olhar — Da Tela ao Selo de Ouro
Por:
Assenta aqui comigo, vamos trocar dois dedos de prosa.
Hoje eu não quero falar de gramática nem de métrica, mas daquela inquietação que bate no peito da gente e não deixa a gente sossegar.
A minha amiga Ana Caúzzo, que sempre teve o olhar de quem enxerga além do horizonte das Alterosas, resolveu colocar o dedo na ferida com o seu primeiro rebento: o e-book "Ansiedade: Por Que Tenho Que Conhecer?".
E eu, que já vivi de tudo um pouco, confesso que quando o arquivo chegou no meu e-mail, meus dedos até formigaram de curiosidade.
Como alguém que criou três homens feitos — e sabe o que é noites em claro — e hoje ainda lido com a efervescência dos jovens na universidade, eu sei que a mente da gente às vezes parece um formigueiro revirado.
A Ana, com a autoridade de quem já gastou muita sola de sapato ensinando História, resolveu nos mostrar que esse tal "aperto no peito" tem nome, sobrenome e, o mais importante, tem cura.
Mergulhar nessas páginas foi como encontrar um oásis no meio de uma estrada poeirenta. Ela nos convida a puxar uma cadeira e encarar a ansiedade não como um inimigo que a gente tranca no porão, mas como um hóspede que precisa ser compreendido para, enfim, ir embora.
Mas a história não parou no brilho da tela do computador.
A coisa tomou um vulto tão bonito que o e-book sentiu necessidade de virar gente grande, de virar livro físico. E vou te contar uma coisa: eu, mesmo querendo com todas as minhas forças e estando lá, de prontidão no meio do povo, não consegui ser a primeira a comprar! A procura foi tanta que a fila deu voltas. O Assunto é urgente e precisava de uma linguagem não academica para propagar.
Ali, no meio daqueles leitores todos, eu senti um orgulho que não cabia em mim. Estar entre eles, ver o nascimento daquela obra palpável, foi como ver um aluno se formando com honras.
E o que falar do selo? Aquele selo tão almejado por quem se atreve a gastar tinta e papel, aquele reconhecimento que separa o joio do trigo no mundo das letras. Quando vi que a obra da Ana tinha conquistado essa chancela, eu festejei aqui no meu canto como se o mérito fosse meu. Porque, veja bem, quem disse que o puxão de orelha não é apreciado?
Na academia, a gente sabe que o rigor é o maior elogio que um escritor pode receber. A Ana não fugiu da raia; ela aceitou o desafio, lapidou o texto, ouviu as críticas e transformou cada apontamento num degrau para a excelência.
Esse livro físico, agora com o selo estampado na capa, é a prova de que a coragem de contar a própria dor não é apenas um desabafo, é um trabalho de mestre.
A voz da Ana surge como um sino de igreja ao longe: serena, firme e cheia de propósito. Ela nos ensina que admitir a própria fragilidade é o primeiro passo para a verdadeira fortaleza. É a história de uma mulher que não teve medo de se ver no "reverso da medalha" para poder lapidar o próprio destino e o de tantos outros.
Fiquei admirada com a coragem dessa trajetória.
Ver o que era um bit de computador se transformar em algo que a gente pode abraçar e colocar na estante me dá uma esperança renovada.
Os livros são as melhores bússolas para quando a gente se perde dentro de si mesmo. Se ocê sente que o mundo está rodando rápido demais para o seu passo, faça um favor a si mesmo: leia a Ana. Deixe que ela te mostre que conhecer a própria ansiedade é, na verdade, um ato de liberdade.
Eu continuo por aqui, devorando esse acervo de sonhos, com meu livro físico devidamente guardado e o coração em festa. Afinal de contas, cada página que viro me faz ter mais certeza de que as histórias — as de verdade, com selo, alma e superação — são o que nos mantêm vivos e conectados ao que realmente importa.
Donatella Pontiel
Professora Universitária Aposentada | Crítica Literária ELHS
Mineira de coração, paulista de origem.
Mãe de três homens feitos. Ativa nas letras.
"Assenta aqui comigo, vamos trocar dois dedos de prosa."
"Leia como quem busca água no deserto."